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Black Mirror

A vida com um toque tech

Séries futurísticas há muitas. Mas Black Mirror, da Netflix, toca em pontos que poucas tocaram antes. O futuro está cada vez mais perto e... até pode assustar.

Já houve muitas séries e filmes futurísticos, que imaginam uma evolução do planeta Terra mais ou menos verosímil. De Regresso ao Futuro, passando por 2001: Odisseia no Espaço – que este ano até celebra 50 anos –, Blade Runner (ou a sequela Blade Runner 2049), continuando por séries como O Justiceiro (o Kitt de Michael Knight mais não era do que um carro autónomo ou robô), Ficheiros Secretos e, agora, Black Mirror.

A série criada por Charlie Brooker é tão inovadora quanto preocupante. Brooker é um humorista, crítico, guionistas, autor, produtor e apresentador britânico de 47 anos que saltou para a fama internacional precisamente como o mentar desta série da Netflix – disponível em Portugal.

O PAPEL DA TECNOLOGIA

Black Mirror funciona como uma espécie de antologia de ficção científica, mas sem grandes efeitos ou aparatos visíveis. Está organizada como se fossem pequenas curtas, sem ligação entre si a não ser o facto de imaginarem um futuro em que tecnologia que hoje está a dar os primeiros passos, já está completamente integrada no tecido da sociedade. O resultado com tons negros e surpreendentes abre consciências sobre como a tecnologia pode afetar bem, mas também muito mal, o nosso dia a dia. Com grandes avanços na tecnologia chega grande responsabilidade.

Um dos episódios mais próximos da realidade é o "50 Milhões de Méritos". Numa sociedade onde a vida das pessoas é gerida através do ganho de méritos, todos têm de pedalar uma bicicleta parada para dar energia ao seu edifício. Quanto mais pedalarem mais méritos têm e podem comprar comida, entretenimento e, se forem bem sucedidos, podem mesmo concorrer a um concurso de talentos que os pode tirar desta vida monótona.

A tecnologia conspira contra nós?

Tal como Black Mirror, também a série Ficheiros Secretos toca num ponto nevrálgico da tecnologia: estará ela a conspirar contra nós? O sétimo episódio da 11.ª temporada, já estreado em 2018, abre com a história de Tay, um chatbot com inteligência artificial que foi lançado no Twitter pela Microsoft em 2016, para aprender a reagir a partir da interação com os humanos. Após 16 horas, estava a enviar mensagens racistas e de ódio. Esse é o ponto de partida deste episódio centrado em Fox e Dana Scully. A série volta assim aos bons velhos tempos de nos pôr a pensar em temas contundentes da atualidade.

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Em "Venho Já", após a morte do marido num acidente de automóvel, uma mulher é tentada a usar um sistema de inteligência artificial. Descarrega para lá toda a informação do marido, das redes sociais aos vídeos pessoais, e a máquina vai colocá-la a falar com uma versão do marido, que inclui voz e as piadas de sempre. O episódio coloca precisamente em causa o facto de, mesmo com inteligência artificial, será sempre difícil imitar um ser humano, mesmo quando há muitos períodos onde a cópia até é melhor do que o original.

Noutro episódio, o "Nosedive", vamos a uma sociedade onde as pessoas dão classificações umas às outras em simpatia e cordialidade. Num dia mau alguém que está bem colocada na sociedade, pode cair por aí abaixo até a ralé da ralé. Um sistema a fazer lembrar os tempos dos “Likes” nas redes sociais.

Não faltam exemplos cativantes e que dão que pensar na série britânica que fez sucesso mundial. Mas o melhor mesmo é ver e deixar-se ir pelo futuro.